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Ana Graciolli leva memórias da avó para disputar prêmio de chef jovem em Milão
Francisco Torres · 23 de agosto de 2026
A chef paulista representa o Brasil na etapa regional latino-americana da S.Pellegrino Young Chef Academy com prato inspirado na tradição familiar.
Ana Graciolli: das lembranças da infância ao estrelato internacional
Aos 24 anos, **Ana Flávia Batista Graciolli** está prestes a viver um dos capítulos mais marcantes de sua carreira gastronômica. Cozinheira do restaurante Broca, na zona oeste de São Paulo, ela é a única brasileira entre os quinze finalistas regionais da América Latina na S.Pellegrino Young Chef Academy, uma das mais prestigiadas competições para jovens chefs no mundo. De 27 a 30 de setembro, no Panamá, Ana terá o desafio de impressionar um júri internacional e, caso vença, levará sua história — e suas raízes — para a final mundial, em Milão, prevista para 2027.
Inspiração na família: o legado da avó
Foi na cozinha da avó, entre panelas fumegantes e colheitas de milho em família, que Ana descobriu o amor pela culinária. As lembranças do doce de leite, preparado com paciência e compartilhado entre gerações, formam a base emocional para o prato que a chef apresenta na competição. O segredo da receita permanece guardado, mas já se sabe que é um preparo repleto de memória afetiva, inspirado no tradicional ritual de descascar e transformar o milho, tradição mantida viva por sua família.
Ana relembra as primeiras incursões pela comida ainda criança, quando tentava receitas como estrogonofe de carne sozinha, enquanto a mãe trabalhava. Ao longo do tempo, o interesse ganhou maturidade: vídeos na internet, pequenas vendas para colegas de cursinho e, mais tarde, o passo definitivo com o ingresso em uma faculdade de Gastronomia.
Trajetória marcada por aprendizado e paixão
Nem sempre a cozinha foi o destino óbvio. Inicialmente, Ana buscava uma vaga em Medicina, depois tentou Nutrição. Sem sucesso no vestibular, aceitou a sugestão materna de experimentar Gastronomia, sem grandes expectativas. No entanto, foi nesse universo que ela se encontrou — e se destacou. Participou de monitorias, se envolveu em projetos e conheceu de perto o funcionamento de grandes cozinhas, como a de hotéis, e, depois, restaurantes à beira-mar em Ilhabela.
O retorno a São Paulo foi motivado pelo desejo de aprender mais sobre o fine dining gastrônomico. No Broca, teve contato com novos conceitos culinários e recebeu o incentivo do chef Cadu Evangelisti para participar da competição. A escolha da narrativa foi natural: sua história familiar e a influência delicada da avó ganharam forma no prato e conquistaram a banca italiana responsável pela seleção.
Preparação com equipe e mentoria brasileira
Ao ser selecionada, Ana optou por Mirella Rafaneli, também chef do Broca, como mentora no processo. Juntas, repetem incansavelmente testes e ajustes para entregar o melhor resultado na etapa do Panamá — sem abrir mão do principal ingrediente: a memória.
Cadu Evangelisti, além de chef e proprietário, é embaixador da S.Pellegrino Young Chef Academy. Para ele, mais do que vencer, o objetivo é formar profissionais capazes de trilhar seus próprios caminhos, levando adiante a filosofia e cultura da cozinha. "Nosso trabalho como chef vai além de ensinar técnicas; cultivamos cultura, filosofia e inspiração para que eles possam voar sozinhos", enfatiza.
O desafio de representar o Brasil
Mesmo com os nervos à flor da pele e metas ainda em construção, Ana vê a oportunidade como uma experiência transformadora. Além de defender o Brasil, busca ampliar seus horizontes, trocando experiências com outros jovens chefs da América Latina e testando seus limites – inclusive na comunicação em outros idiomas. Ela carrega consigo não apenas um prato, mas a história de resistência, afeto e tradição familiar, iniciada ao lado da avó, diante de uma panela borbulhante no interior de São Paulo.
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