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Astrônomos registram pela primeira vez toda a morte de uma estrela gigante

Sara Márquez · 12 de agosto de 2026

Equipe internacional acompanha em tempo real explosão de supernova e revela novos detalhes sobre o fenômeno.

Cientistas acompanham raro desfecho de uma estrela gigante

Um grupo internacional de astrônomos conseguiu, pela primeira vez, seguir de ponta a ponta a morte de uma estrela gigantesca – um espetáculo cósmico que oferece informações inéditas sobre as supernovas. O feito foi possível graças ao telescópio espacial chinês Einstein Probe, que, em março deste ano, identificou um breve e intenso clarão de raios X causado por uma poderosa onda de choque. Esse primeiro sinal é chamado de emergência da onda de choque e marca o colapso do núcleo estelar.

Embora o fenômeno seja teoricamente esperado em toda supernova, sua detecção em tempo real é extremamente difícil, principalmente devido à sua curta duração. Segundo os astrônomos, trata-se do primeiro registro completo desse tipo desde 2008.

O que foi observado

A supernova SN 2026gzf, localizada a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra em uma galáxia próxima, chamava atenção pelo seu tamanho: estima-se que a estrela original tivesse até 30 vezes a massa do Sol. Antes da explosão, ela era uma estrela do tipo Wolf-Rayet, rara e de alta massa, que já havia perdido suas camadas externas de hidrogênio e hélio devido a ventos estelares extremos.

Além do Einstein Probe, outros instrumentos importantes foram mobilizados, como o *Observatório de Raios X Chandra* e diversos telescópios terrestres. O monitoramento se estendeu por cerca de três meses, até que a localização da supernova ficou encoberta pelo Sol na perspectiva da Terra.

Impacto do estudo

O acompanhamento minucioso permitiu captar detalhes únicos do processo, lançando luz sobre questões antigas da astrofísica: por que algumas estrelas de alta massa geram explosões de raios gama e outras não? O registro da SN 2026gzf mostrou todos os sinais de uma explosão energética, mas sem produção de raios gama, sugerindo que o jato de matéria pode ter sido "sufocado" pelas camadas externas da estrela – algo até então só especulado teoricamente.

A descoberta também sugere que estrelas gigantes podem morrer de formas mais variadas do que se imaginava, ampliando o entendimento sobre a formação de buracos negros e os limites do ciclo de vida estelar. Estima-se que o colapso deu origem a um buraco negro, tamanho o acúmulo de massa.

O que dizem os especialistas

De acordo com Brendan O’Connor, pesquisador da Universidade Carnegie Mellon (EUA) e autor de um dos artigos científicos publicados sobre o evento, a existência de jatos sufocados abre novas frentes para a compreensão da morte estelar. "Essas supernovas extremas funcionando como laboratórios naturais ajudam a entender as leis da física em condições que não conseguimos reproduzir na Terra", explica a astrônoma Jillian Rastinejad, da Universidade de Maryland.

Relevância para a ciência brasileira

A pesquisa reforça a importância do monitoramento e da cooperação internacional na área de astronomia, estimulando inclusive a participação de cientistas brasileiros em missões e análises de dados globais. O evento inspira projetos nacionais que visam observar fenômenos semelhantes em nosso hemisfério e destaca o potencial transformador da ciência para desvendar os segredos do universo.

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