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Chefs brasileiros celebram o Dia dos Pais com receitas carregadas de memórias

Manuel Castro · 12 de agosto de 2026

No Dia dos Pais, renomados chefs do Brasil revelam como as referências paternas influenciaram suas cozinhas e trajetórias gastronômicas.

A gastronomia carrega muito mais do que técnicas e sabores: ela é, acima de tudo, uma fonte de memórias e afetos. No Dia dos Pais, chefs de diferentes partes do Brasil compartilham como as figuras paternas foram decisivas em suas trajetórias e como receitas herdadas ou inspiradas nesses laços familiares chegaram ao protagonismo de suas cozinhas profissionais.

Referências que atravessam gerações

Para **Raul Vieira**, chef do Terraço Jardins, em São Paulo, a influência do pai, Carlos Donizetti Vieira, o Doni, é perceptível nos pratos que cria. Doni, mineiro do interior, sempre valorizou o frescor dos ingredientes e os rituais da culinária caipira, o que ainda ecoa no modo respeitoso como o chef conduz sua cozinha. "Meu pai elevava um simples tutu de feijão a um verdadeiro banquete. O cuidado com cada detalhe segue sendo uma inspiração diária", destaca Raul.

Na região Norte do país, **Saulo Jennings** homenageia a tradição familiar paraense trazendo à tona o sabor dos peixes regionais, tacacá e açaí, numa culinária de partilha aprendida com Fabiano Simões, seu pai. "O almoço era um rito entre amigos e família, onde o que importava era compartilhar o tempo, o alimento e as histórias ao redor do fogão à lenha", lembra Saulo.

As memórias que viram receita

A chef **Júlia Almeida**, à frente do Senac Eixo Monumental, em Brasília, mantém vivas as lembranças do pai, Derneval, mesmo que ele nunca tenha sido um grande cozinheiro. "Os fins de semana com legumes na churrasqueira e tudo vindo da horta dele são a essência da minha cozinha. Busco sempre valorizar o produto nacional e trazer defumação aos meus pratos, como ele gostava", explica.

O pão de queijo tem papel especial na trajetória de **Roberta Julião**, chef do Da Feira ao Baile. A receita herdada do pai, Paulo Julião, virou sucesso de vendas na sua confeitaria. "Meu pai não era bom de fogão, mas era apaixonado pelo pão de queijo da família — foi aí que aprendi a preparar, adaptei e transformei em carro-chefe do meu negócio", revela.

Tradição familiar e inovação

A confeitaria também demonstra como a passagem de saberes move gerações. **Augusto Guarnieri** aprendeu o ofício do pai, Elton, na famosa Confeitaria Guarnieri. "Cresci vendo meu pai transformar chocolates e doces em momentos de felicidade familiar. Hoje, tenho orgulho de conduzir o sonho junto com ele, entregando não só receitas, mas memórias", afirma Augusto.

Já **Cá Botelho** encontrou na culinária inclusiva a herança dos almoços de domingo com o pai, Luiz. "Cresci numa casa cheia, com panelas no fogo e risadas à mesa. Meu pai nunca se preocupou só com o prato, mas com o bem-estar de todos. Levo até hoje essa lição na carreira que escolhi: cozinhar é um gesto de cuidado e inclusão", completa.

Em Minas Gerais, **Valter Roza** foi fortemente impactado pelo bar e restaurante Rei do Mocotó, de seu pai João. Seu repertório mistura pratos clássicos mineiros, como o caldo de mocotó e a canjiquinha de milho, com o espírito empreendedor herdado do patriarca. “Aprendi que não existem ingredientes nobres ou simples, mas, sim, comida bem feita e dedicada”, afirma Valter Roza, agora à frente do Roza Cozinha Itinerante.

Mais que receitas, conexões afetivas

As trajetórias desses chefs mostram que, acima de técnicas, ingredientes ou estilos gastronômicos, a maior herança transmitida de pai para filho nas cozinhas brasileiras está na valorização das raízes e do afeto. Do café ao pão de queijo, do tutú ao peixinho regional, cada prato revela uma história de aprendizado, família e amor.

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