O conceito de dark kitchen vem conquistando espaço importante no Rio de Janeiro, mudando a dinâmica do setor de alimentação fora do lar. Conhecidas também como cozinhas invisíveis, essas operações funcionam exclusivamente para entrega ou retirada, sem a necessidade de salões físicos ou atendimento direto ao público. Proporcionando flexibilidade e custos operacionais menores, o modelo conquistou desde restaurantes reconhecidos até novos empreendedores, especialmente após a pandemia.
Novas formas de atuar no mercado gastronômico
Em bairros como Botafogo, equipes lideradas por chefs como Gabriel Carvalho trabalham em cozinhas compartilhadas, adaptando cardápios e expandindo marcas — caso da Tatim e Rio Sandô. O modelo permite atender diferentes públicos e testar novas ideias sem o grande investimento e os riscos do salão tradicional. Para muitos, é a chance de começar com baixo custo, mirando apenas o público dos aplicativos de entrega.
Segundo Gabriel Carvalho, os benefícios vão além da economia: “Você elimina gastos com decoração, louças e treinamento para o atendimento ao público”. Utilizar um mesmo espaço para duas ou mais marcas, como ocorre em algumas dark kitchens do Rio, otimiza ao máximo a rotina e eleva o número de pedidos diários.
Grandes marcas apostam no delivery
De olho na nova tendência, nomes conhecidos do setor mergulharam de cabeça nesse formato. O Grupo Burguês, fundado no Rio, destaca-se com marcas como Ex-Touro e Seu Vidal, focadas em hambúrgueres e sanduíches inovadores. Novidades recentes, como B de Burger e Crepelocks, também atuam exclusivamente pelo sistema delivery. Segundo o chef Yasser Regis, do Ex-Touro, o maior desafio está em manter a qualidade dos produtos durante o transporte: “Precisamos simular diferentes tempos e trajetos para garantir que a comida chegue fresca”.
Expansão e impacto pós-pandemia
Projetos como a Cumbuca, surgida em 2020, nasceram com o propósito de explorar o delivery e expandem para bairros como Niterói e Barra da Tijuca. Já para chefs consagrados, como Thomas Troisgros, do T.T. Burger, o delivery representa parcela significativa do faturamento, embora a preferência pelo salão ainda exista por conta da experiência de convivência com os clientes.
Até profissionais da confeitaria, como Diva Oliveira da Diva Confeitaria e Thiago Pelonia da Folha de Açúcar, migraram para o sistema invisível visando aumentar o volume e otimizar a produção sem as despesas de uma loja física.
Mercado cresce e exige regulamentação
A popularização das dark kitchens ocorre junto ao avanço do delivery no Brasil. Dados do Instituto Foodservice Brasil apontam que, em maio de 2026, as vendas por entrega responderam por 26,6% do faturamento do setor, com crescimento de 34% em relação ao ano anterior. O desafio agora é garantir que novos negócios atendam às exigências sanitárias e de licenciamento, como alerta Fernando Blower, presidente do SindRio.
A tendência é clara: dark kitchens vieram para ficar e já impulsionam a modernização da gastronomia carioca, oferecendo oportunidades para negócios de todos os portes inovarem e alcançarem mais clientes de forma prática e eficiente.
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