Após a observação do eclipse solar da última quarta-feira (12) na Alemanha, dezenas de pessoas procuraram hospitais com queixas de dores nos olhos, tontura e distúrbios visuais. A situação acendeu um alerta internacional para os perigos da exposição direta ou sem proteção adequada aos raios solares durante esses fenômenos – tema de interesse também para brasileiros, já que eclipses solares costumam atrair milhares de observadores no Brasil.

Procura por hospitais aumentou após o fenômeno

Em Berlim, o Hospital Charité e unidades do grupo Vivantes atenderam juntos cerca de 20 pacientes relatando alterações na visão logo após o eclipse. Especialistas informam que os sintomas mais comuns foram dores de cabeça, sensação de ardência ocular e manchas escuras no campo visual.

No estado de Baden-Württemberg, onde o eclipse teve maior intensidade, somente o Hospital Universitário de Mannheim registrou cerca de 20 consultas oftalmológicas nas horas seguintes ao evento. De acordo com o diretor da clínica, Robert Patrick Finger, a maioria dos pacientes apresentou sintomas leves que devem desaparecer em algumas horas, mas outros relataram visão embaçada e sensação de pressão nos olhos – sinais de alerta para lesões mais sérias.

Stuttgart registrou outros 20 atendimentos emergenciais, também sem danos permanentes identificados até o momento. Em Freiburg, oito pessoas deram entrada no pronto-socorro ainda na noite do eclipse, e outras procuraram atendimento nas horas seguintes. A expectativa é que o número de casos aumente nos próximos dias, já que sintomas como manchas ou desconforto visual podem surgir com atraso.

Danos à retina podem ser permanentes

O Departamento Federal de Proteção Radiológica da Alemanha (BfS) ressaltou que a exposição direta à luz solar, especialmente durante eclipses, pode causar lesões irreversíveis na retina. Segundo especialistas, a chamada retinopatia solar pode ocorrer mesmo sem sintomas imediatos, levando à formação de cicatrizes que afetam permanentemente pequenas áreas do campo de visão. O risco é maior quando a observação ocorre sem filtros especiais e certificados.

Nos casos registrados até o momento, não houve confirmação de sequelas graves. No entanto, os hospitais alemães permanecem em alerta para o aparecimento tardio de lesões, e recomendam que qualquer alteração visual seja avaliada por um oftalmologista.

Lições para brasileiros

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) orienta que, sempre que ocorrer um eclipse solar visível no Brasil, a observação direta seja feita apenas com o uso de filtros apropriados, como óculos certificados para este fim. Usar óculos escuros comuns, filmes fotográficos ou placas de raio-X não protege adequadamente.

Especialistas sugerem evitar improvisos e buscar informações confiáveis antes de assistir a um eclipse. Sintomas como dor, pontos escuros ou visão embaçada após exposição ao sol devem motivar uma consulta médica imediata.

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