O Festival Corrientes 348 está mudando a forma como o brasileiro aprecia carnes, trazendo para a mesa um conceito já bem conhecido entre os amantes de vinho: o terroir. Assim como as uvas refletem o solo e o clima de onde vêm, a carne também exibe nuances que vão além da maciez tão valorizada pelos consumidores tradicionais. A proposta do festival, que acontece a partir de 20 de agosto nas cinco unidades do Corrientes 348 em São Paulo e Rio de Janeiro, é fazer o público perceber essas camadas de sabor a partir de um lote especial de Angus uruguaio.

O terroir no prato: o que faz o sabor da carne

A matéria-prima central do festival é um lote exclusivo de Angus do Uruguai, proveniente do frigorífico Copayan: cerca de 7 toneladas de carne de 240 animais, distribuídas entre sete cortes premium. O segredo está no método de produção: após 18 meses em pasto, os bois são confinados por 200 dias, um tempo consideravelmente maior que a média do mercado (130 dias), favorecendo uma complexidade maior de sabor, segundo o especialista Henrique Freitas, curador do projeto.

Henrique, veterinário que assumiu a curadoria em 2024, relata que a inspiração veio após uma visita a uma fazenda de gado na Argentina ao lado de Mara Larios, fundadora do Grupo 348. Lá, testemunharam todo o ciclo de produção – do campo ao frigorífico – o que abriu novos caminhos para entender e valorizar as diferenças entre os cortes.

Cortes do festival e experiências oferecidas

O menu tenta mapear as expressões do terroir nos seguintes cortes:

  • Bife ancho (R$ 328)
  • Asado de tira (R$ 318)
  • Ojo del bife (R$ 328)
  • Bife de chorizo (R$ 284)
  • Tapa de cuadril (R$ 332)
  • Entraña (R$ 460)
  • Corte especial 348 (fraldinha nobre, R$ 288)

Cada corte entrega uma experiência diferente: o chorizo se destaca pela persistência, suculência e textura, enquanto a entraña – corte nobre do diafragma bovino – é rara e convida a descobrir novas camadas de sabor, valorizada nas parrillas argentinas e uruguaias, mas pouco comum nos açougues brasileiros.

Harmonizações e toques especiais

Além das carnes, o festival traz receitas de família, como a empanada de carne com passas (R$ 32), e saladas fartas, caso da Completa, combinando várias folhas e vegetais (R$ 87). Para harmonizar, a sugestão é o vinho Single Vineyard Petit Verdot da Bodega Garzón (R$ 280), do mesmo terroir uruguaio, envelhecido entre 12 e 18 meses, entregando notas de frutas negras e baunilha. O encerramento da experiência é feito com a clássica panqueca de doce de leite (R$ 53), sobremesa icônica na casa.

O sabor como protagonista: aprendendo a degustar carnes

O objetivo do festival é ampliar a percepção do público sobre carne, incentivando a avaliação de cor, intensidade e persistência do sabor, e promovendo uma conversa na mesa que vai além da simples escolha pela maciez. "Maciez hoje é obrigação. Estamos dando o próximo passo, que é o sabor", resume Henrique Freitas.

Como cada lote é limitado – as cinco casas costumam consumir 11 toneladas em duas semanas –, quem quiser aproveitar esta edição especial deve se apressar. Experimentar os cortes do festival é oportunidade de descobrir como o terroir também faz diferença na carne bovina.

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