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Morte de estrela gigante é observada em tempo real por astrônomos
Ricardo Romero · 12 de agosto de 2026
Cientistas acompanham explosão estelar inédita e ampliam conhecimento sobre supernovas.
Observação inédita revela detalhes sobre o fim de uma estrela gigante
Pela primeira vez em quase duas décadas, astrônomos conseguiram acompanhar do início ao fim a morte de uma estrela gigantesca, ampliando de forma significativa a compreensão sobre a dinâmica das supernovas. O episódio foi registrado graças ao telescópio espacial Einstein Probe, da China, que detectou um breve, porém intenso, clarão de raios X em março deste ano – o sinal característico de uma poderosa onda de choque rompendo a superfície estelar. Esse evento, chamado de “emergência de onda de choque”, é fundamental no processo de supernovas, mas raramente captado devido à sua rapidez.
Segundo Brendan O’Connor, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Carnegie Mellon e autor principal de um dos estudos publicados sobre o fenômeno, registrar esse tipo de explosão em tempo real exige uma dose de sorte, já que dura apenas alguns minutos. O acompanhamento foi possível graças à rápida mobilização de diversos telescópios ao redor do mundo, incluindo o Observatório de Raios X Chandra, além de instalações em solo. As observações seguiram por quase três meses, até que a supernova deixou de ser visível da Terra por estar atrás do Sol.
Uma supernova de grandes proporções
A estrela observada, denominada SN 2026gzf, estava localizada a cerca de 500 milhões de anos-luz da Terra, numa galáxia considerada relativamente próxima em termos astronômicos. Antes da explosão, tratava-se de uma estrela do tipo Wolf-Rayet, com aproximadamente 30 vezes a massa do nosso Sol – superando gigantes como Betelgeuse, famosa por seu tamanho e brilho no céu.
Após o colapso, acredita-se que o corpo celeste se tornou um buraco negro, cuja gravidade é tão intensa que nada, nem mesmo a luz, pode escapar. O episódio não apresentou o chamado fenômeno de explosão de raios gama, que normalmente acompanha supernovas tão energéticas. Para os cientistas, isso indica que nem toda morte estelar espetacular resulta nesse tipo de emissão.
Novas questões para a astronomia
Jillian Rastinejad, pesquisadora da Universidade de Maryland e autora principal do outro estudo sobre o caso, destaca que estrelas massivas podem morrer de formas mais diversificadas do que se pensava. O evento observado desafia as hipóteses sobre porque algumas estrelas lançam jatos de matéria em alta velocidade – produzindo raios gama – enquanto outras não.
A possibilidade de que o jato tenha sido "sufocado" pelo material da própria estrela ou pela sua atmosfera densa é uma das principais teorias agora debatidas. Confirmar a existência dos chamados jatos sufocados pode explicar o motivo das diferenças entre supernovas aparentemente semelhantes.
Por que esse fenômeno importa para a ciência?
Supernovas extremas como essa funcionam como verdadeiros laboratórios para a astrofísica, permitindo que estudem leis da física em condições que não podem ser reproduzidas na Terra, como densidades altíssimas e temperaturas elevadas. Pesquisas assim ajudam a desvendar mistérios sobre a origem dos elementos e evolução do próprio universo.
Com o avanço das tecnologias de observação, episódios raros como esse devem ser registrados com mais frequência, impulsionando ainda mais o conhecimento científico. Fique por dentro das últimas notícias do Brasil e do mundo científico em explorebrazil.live.