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Protagonismo feminino transforma a gastronomia brasileira apesar de desafios

Lucía Fernández · 12 de agosto de 2026

Mulheres ocupam espaços de destaque na gastronomia, mas ainda enfrentam obstáculos e preconceitos.

O universo da **gastronomia brasileira** está mudando de rosto e de comando. Atualmente, mulheres ocupam posições que antes eram quase exclusivas dos homens: comandam braseiros, lideram restaurantes premiados, inovam em cozinhas autorais e acumulam prêmios – como provam as conquistas repetidas de brasileiras no Latin America’s 50 Best Restaurants, incluindo Helena Rizzo, Roberta Sudbrack, Manu Buffara, Janaína Torres e Tássia Magalhães.

Mesmo com esse avanço, ainda há muito chão até que a presença feminina na liderança culinária se torne um padrão. Pia León, chef peruana do Kjolle e destaque mundial, já afirmou: separar prêmios por gênero ainda é necessário porque o reconhecimento permanece desigual. Nas cozinhas, elas ainda são minoria, seja à frente do fogão ou nas decisões dos cardápios.

Dos braseiros aos restaurantes estrelados

Historicamente associada à doçaria ou à cozinha de casa, a mulher brasileira, nas últimas décadas, rompeu essas barreiras e entrou de vez em setores considerados "masculinos" dentro da gastronomia. Chefs como Janine Sad, do Clan BBQ no Rio, Eliza Fegar e Daniela França Pinto no Cortès Assador, trouxeram leveza e visão própria ao universo das carnes e grelhados – tradicional espaço masculino. Sad destaca que hoje sente orgulho em ver mulheres se identificando com sua atuação e com o espírito do restaurante.

A especialização em peixes e frutos do mar também ganhou nomes de mulheres: Monique Gabiatti, por exemplo, comanda três casas em Botafogo e viajou países da América Latina e Japão buscando novas técnicas, mostrando que capacidade técnica e criatividade independe de gênero.

Brasileiras além das fronteiras

O talento brasileiro chega também ao exterior. Alessandra Montagne, nascida no Vidigal (RJ), chamou atenção de Alain Ducasse e comanda o restaurante do Museu do Louvre, em Paris. Já Angélica Salvadore, no Porto, se tornou a primeira chefe mulher brasileira a conquistar uma estrela Michelin em Portugal, enfrentando preconceitos tanto de gênero quanto de nacionalidade, mas sempre valorizando elementos do Brasil em seus menus.

Jessica Trindade, braço-direito de Claude Troisgros no Madame Olympe (RJ), também conquistou uma estrela Michelin e afirma que apesar das dificuldades, vê mais oportunidades no Brasil para mulheres na gastronomia se comparado ao cenário europeu.

Empreendedorismo, ancestralidade e resistência

Além do talento culinário, mulheres como Daniela e Mariana Gorski, da Confeitaria Dama em SP, evidenciam como a tradição familiar e a gestão empresarial podem andar juntas. Elas lembram que, historicamente, mulheres sempre foram empreendedoras, mesmo sem esse título formal.

No campo dos vinhos, Giovanna Perrone e as novas sommelières percebem mudanças graduais, como cozinhas menos autoritárias e mais abertas ao diálogo, importantes para que mais mulheres ocupem postos de liderança.

Já Telma Shimizu, do Aizomê, tornou-se referência no tradicionalíssimo universo da culinária japonesa e ainda é uma das raras mulheres reconhecidas como chef e embaixadora da cultura nipônica no mundo.

Caminhos e desafios no horizonte

Apesar dos avanços, a presença feminina na gastronomia brasileira ainda é marcada por resistência, inovação e a superação constante de preconceitos. Seja em carne, peixe, confeitaria ou cozinha japonesa, essas mulheres inspiram pela coragem, criatividade e talento – e mostram que inovar, cuidar, liderar e construir pontes são responsabilidades de todos os gêneros.

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